terça-feira, 18 de novembro de 2008

Noturno

Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa?E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte?
Que vale o pensamento humano,esforçado e vencido,na turbulência das horas?
Que valem a conversa apenas murmurada, a erma ternura, os delicados adeuses?
Que valem as pálpebras da tímida esperança,orvalhadas de trêmulo sal?
O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis,no profundo diagrama.
E o homem tão inutilmente pensante e pensadosó tem a tristeza para distingui-lo.
Porque havia nas úmidas paragensanimais adormecidos, com o mesmo mistério humano:grandes como pórticos, suaves como veludo,mas sem lembranças históricas, sem compromissos de viver.
Grandes animais sem passado, sem antecedentes,puros e límpidos,apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancose noções de água e de primavera nas tranqüilas narinase na seda longa das crinas desfraldadas.
Mas a noite desmanchava-se no oriente,cheia de flores amarelas e vermelhas.E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes,erguiam no ar a vigorosa cabeça,e começavam a puxar as imensas rodas do dia.
Ah! o despertar dos animais no vasto campo!Este sair do sono, este continuar da vida!O caminho que vai das pastagens etéreas da noiteao claro dia da humana vassalagem!
Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa?E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte?
Que vale o pensamento humano,esforçado e vencido,na turbulência das horas?
Que valem a conversa apenas murmurada, a erma ternura, os delicados adeuses?
Que valem as pálpebras da tímida esperança,orvalhadas de trêmulo sal?
O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis,no profundo diagrama.
E o homem tão inutilmente pensante e pensadosó tem a tristeza para distingui-lo.
Porque havia nas úmidas paragensanimais adormecidos, com o mesmo mistério humano:grandes como pórticos, suaves como veludo,mas sem lembranças históricas, sem compromissos de viver.
Grandes animais sem passado, sem antecedentes,puros e límpidos,apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancose noções de água e de primavera nas tranqüilas narinase na seda longa das crinas desfraldadas.
Mas a noite desmanchava-se no oriente,cheia de flores amarelas e vermelhas.E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes,erguiam no ar a vigorosa cabeça,e começavam a puxar as imensas rodas do dia.
Ah! o despertar dos animais no vasto campo!Este sair do sono, este continuar da vida!O caminho que vai das pastagens etéreas da noiteao claro dia da humana vassalagem!

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